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Um em cada três internautas relatou tentativa de golpe com dados pessoais

Estudo do Cetic.br combina relatos de golpes com dados sobre IA generativa e práticas de privacidade em empresas e órgãos públicos.

Por Jaime Linhares · 27/10/2026

Escala e natureza dos relatos

Dois indicadores que não se confundem

Publicada em 31 de agosto de 2026, a terceira edição examina privacidade e proteção de dados pessoais no Brasil. Seu recorte individual inclui usuários de Internet com 16 anos ou mais. Desse grupo, 32% relataram tentativas de golpe envolvendo dados pessoais, estimativa equivalente a 45 milhões de pessoas. Outros 20% declararam ter sido vítimas do mesmo tipo de crime. Os indicadores descrevem situações diferentes e pedem leitura separada. Uma tentativa relatada não confirma, por si só, que a fraude foi concluída. Essa distinção impede somar os percentuais como partes de uma mesma medida. A edição reúne dados de usuários, empresas e órgãos públicos, embora cada indicador se refira a um universo específico. Os 45 milhões correspondem às tentativas relatadas, não à proporção que declarou vitimização.

Abordagens em diferentes canais

Entre os usuários que passaram por tentativas, aplicativos de mensagem foram mencionados com maior frequência: 84%. Chamadas telefônicas vieram em seguida, citadas por 79% desse grupo. Sites ou aplicativos falsos e SMS receberam 71% cada, enquanto e-mail alcançou 69%. Redes sociais foram lembradas por 67%. Essa distribuição atravessa conversas, telefonia, páginas digitais, correio eletrônico e plataformas sociais. Os meios podem aparecer simultaneamente nos relatos e não formam etapas obrigatórias de uma abordagem. Além disso, os percentuais representam respostas de quem vivenciou tentativas, não taxas de ataques por serviço. Assim, a comparação dimensiona a variedade de canais citados sem apontar qual registra mais crimes.

Privacidade no uso de inteligência artificial

Informações compartilhadas em interações com IA

Na terceira edição, a investigação sobre IA generativa passou a incluir explicitamente a perspectiva da privacidade. Entre as finalidades relatadas estão atividades profissionais e acadêmicas, aconselhamento, suporte emocional e companhia. Para mapear as informações fornecidas, a pesquisa reuniu respostas de pessoas que usam essas ferramentas. Temas de trabalho ou estudo apareceram em 73% das respostas. Preferências pessoais, como filmes e músicas, foram lembradas por 58%. Sentimentos e emoções alcançaram 54%, enquanto dados de saúde foram citados por 52%. Fotos próprias ou de conhecidos foram mencionadas por metade dos participantes desse recorte. Essas categorias cobrem desde assuntos cotidianos até informações pessoais, sem indicar que todos compartilhem os mesmos conteúdos. Por isso, os percentuais retratam tipos de informação citados, não perfis individuais completos.

Preocupação com o tratamento dos dados

Entre usuários de IA generativa, 66% se declararam preocupados ou muito preocupados com o uso de dados pelas empresas responsáveis. O índice foi de 68% entre pessoas que utilizam celular e computador. Entre participantes com escolaridade mais alta, a proporção chegou a 72%. Esses recortes mostram variações entre grupos, mas não identificam causas para as diferenças observadas. Finanças pessoais, como orçamentos e investimentos, foram citadas por 41% dos usuários que forneceram informações. Dados básicos, como nome, endereço, data de nascimento ou CPF, apareceram em 37% das respostas. Assim, o levantamento aproxima a percepção sobre tratamento de dados das práticas de compartilhamento declaradas. Não se trata de concluir que uma atitude determine a outra, mas de registrar as duas dimensões.

Armazenamento e governança nas empresas

Dados mantidos pelas organizações

Entre as empresas brasileiras pesquisadas, 69% declararam armazenar informações pessoais de clientes ou usuários. Na lista de categorias sensíveis, biometria foi reportada por 31%, à frente dos dados de saúde, com 26%. Os percentuais indicam presença de tipos de informação, não o volume mantido por cada organização. A pesquisa também separa empresas que armazenam dados de clientes ou usuários para analisar informações de menores. Entre essas empresas, 9% disseram guardar dados pessoais de pessoas com menos de 18 anos. A proporção chegou a 21% nas organizações de grande porte e a 19% em alojamento e alimentação. Essas referências pertencem a subconjuntos específicos, não ao universo empresarial completo. Assim, a condição de armazenamento precisa acompanhar a leitura do indicador sobre menores. Categorias sensíveis e segmentos econômicos aparecem como recortes distintos do panorama.

Estruturas formais e adequação à LGPD

Na dimensão empresarial, 40% relataram reuniões específicas sobre proteção de dados e adequação à LGPD. Consultorias ou assessorias especializadas foram contratadas por 32% das organizações. Uma área ou equipe dedicada apareceu em 20% dos casos; nomeação formal de encarregado, em 16%. Esse responsável também é conhecido pela sigla DPO. Cada percentual corresponde a um mecanismo: debate interno, apoio externo, equipe dedicada ou função designada. A pesquisa descreve estabilidade na adoção de estruturas formais de governança. Como as iniciativas são diferentes, os resultados não compõem uma escala única de maturidade. Os dados descrevem formatos de organização declarados pelas empresas para tratar proteção de dados.

Contratos e políticas internas

Além de equipes e funções, o levantamento examina mudanças documentais relacionadas ao uso de informações. Trinta por cento das empresas mencionaram alterar contratos vigentes. Políticas para utilização de dados de funcionários foram relatadas por 29%. Outros 28% informaram desenvolver política de privacidade. Essas medidas têm escopos próprios e não substituem a leitura dos indicadores sobre encarregados ou equipes. Cada frequência registra a presença da iniciativa pesquisada, sem detalhar sua aplicação dentro da empresa. Os números tampouco classificam organizações por desempenho ou eficácia em proteção de dados. Seu valor está em mostrar modalidades diferentes de ação documental no panorama empresarial. Contratos e políticas convivem com estruturas de governança, mas os dados não os tratam como equivalentes.

Estruturas de proteção no setor público

Responsáveis por privacidade

Nas organizações públicas municipais, áreas ou responsáveis por privacidade foram identificados em 42% em 2025. Em 2023, a estimativa municipal era 36%, registrando diferença entre os levantamentos. Nas prefeituras com até 10 mil habitantes, o indicador passou de 31% para 37%. Entre órgãos federais e estaduais, a frequência variou conforme o Poder. A presença foi informada em 100% do Ministério Público, 94% do Judiciário, 83% do Legislativo e 74% do Executivo. Os percentuais descrevem estruturas identificadas, não a qualidade de sua atuação ou os efeitos alcançados. Cada recorte mantém seu próprio grupo e período de comparação. Essa distinção evita tratar a existência de uma área responsável como sinônimo de efetividade.

Resposta a incidentes e saúde pública

Nos órgãos estaduais, a nomeação de encarregados pelo tratamento de dados passou de 46% para 58%. Planos de resposta a incidentes avançaram de 30% para 42% no mesmo recorte. Na esfera federal, 93% dos órgãos tinham encarregado, enquanto 54% contavam com plano. São medidas separadas, com percentuais próprios para níveis de governo diferentes. Os dados permitem comparar a presença declarada de responsáveis e planos, sem fundi-los numa métrica única. Essa forma de leitura mantém as diferenças entre a designação de um responsável e a preparação para incidentes. Ambas integram a governança pública, mas correspondem a aspectos distintos da gestão de dados. Os resultados não estabelecem, por si só, a qualidade operacional desses instrumentos.

Nos estabelecimentos públicos de saúde, políticas de segurança da informação foram registradas em 28%, ante 24%. Entre hospitais públicos com mais de 50 leitos, o percentual chegou a 54%. Esse resultado introduz o contexto de saúde ao panorama institucional da pesquisa. A publicação reúne relatos individuais, práticas empresariais e estruturas públicas, mas cada cifra continua ligada ao grupo correspondente. Na experiência individual, o foco são tentativas e informações fornecidas a ferramentas de IA. Nas empresas, aparecem armazenamento, políticas e mecanismos de adequação à LGPD. Em órgãos públicos, os indicadores tratam de responsáveis por privacidade e respostas a incidentes. Essa organização por universos permite acompanhar a amplitude do tema sem confundir exposição, governança e resultados. O conjunto aproxima proteção de dados, segurança digital e uso cotidiano de inteligência artificial.

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Informações deste conteúdo

Tecnologias: Armazenamento, Dados, Governança, IA Generativa, Inteligência Artificial, Segurança Cibernética, Segurança Digital, Segurança da Informação

Carreiras: Arquiteto de Segurança

Idiomas: Português

Tags: dados, estatistica, estudos, governanca, ia, lgpd, tecnologia